Os sistemas educativos confrontam-se,
hoje, com uma complexidade de problemas com origem no processo de evolução das
políticas e na transformação ou manutenção do comportamento das administrações
que as suportam, no carácter mutável das sociedades contemporâneas nos aspetos
sociais, financeiros, económicos, políticos e culturais e na dificuldade de
conceber soluções em contextos de incerteza permanente.
Os princípios e conceitos gerais
determinantes dos quadros políticos e sociais de governabilidade do Estado e
das políticas sociais, designadamente da Educação, sofrem o impacto dessas
mudanças e influenciam, por seu lado, novas transformações.
A educação é produto de uma história
de sociedade e ao mesmo tempo um determinante essencial para o futuro. Assim,
referem-se os aspetos que marcam de forma consequente o contexto da
problemática da educação e dos sistemas educativos, vistos numa perspetiva
sistémica, onde dimensões sociais, políticas e ideológicas se entrecruzam:
1.º - As mudanças de orientação sobre
o papel e a função reguladora do Estado que ocorrem nas sociedades
pós-industriais, como consequência do processo de globalização;
2.º - As alterações institucionais e a
desadequação na racionalidade instrumental das sociedades industriais, face aos
processos de participação social;
3.º - A ideologia dominante na
condução das políticas sociais públicas, com principal incidência na política
educativa.
Na transição para o mundo atual das
multinacionais, do liberalismo económico, da desregulamentação e da
virtualidade, o paradigma de trabalho e a estrutura de emprego da sociedade
industrial, a mobilidade profissional e laboral que se traduz no desempenho de
várias profissões e vários empregos ao logo da vida, a questão do emprego/desemprego
como questão de crescimento económico e
desenvolvimento humano implicam que o
verdadeiro desafio económico se centre na Educação, ou seja, naquilo que os
cidadãos podem acrescentar à economia global pela expansão e melhoria das suas qualificações.
Nestas condições, compreende-se que o
desenvolvimento e a expansão da Educação, no contexto atual, residam na
possibilidade de dar, a cada um, uma formação ao longo da vida, adequada às
novas exigências.
As alterações institucionais decorrentes
da mudanças de orientação sobre o papel e função reguladora do Estado e as
novas realidades políticas e sociais, traduzidas na desintegração das certezas
da sociedade industrial, no que se refere à ciência, à estabilidade e
previsibilidade económica e profissional, levam os indivíduos a assumir o seu
papel de atores sociais, quando colocados perante uma variedade de modelos e de
opções.
Os modelos de organização do Estado
tornaram-se inoperantes e percebe-se que o que está em causa é a necessidade de
um novo contrato social.
Não se trata de construir um mundo
novo. Trata-se de ajudar os homens e as mulheres de um mundo que se transformou
radicalmente e que está em vias de se construir, sem plano nem visão à priori,
a fazer face aos problemas que emergem doravante e para os quais a educação atual
se prepara mal.
Não se trata de adaptar
a educação ao mundo tal como é. Mas de dar aos humanos a capacidade de
responder aos problemas que o mundo lhe impõe e de se tornarem atores mais
responsáveis das mudanças que devem animar e que não se podem determinar à priori.http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/mod/resource/view.php?id=1166331
Sem comentários:
Enviar um comentário