domingo, 4 de novembro de 2012

Sistemas Educativos e as Sociedades Contemporâneas


Os sistemas educativos confrontam-se, hoje, com uma complexidade de problemas com origem no processo de evolução das políticas e na transformação ou manutenção do comportamento das administrações que as suportam, no carácter mutável das sociedades contemporâneas nos aspetos sociais, financeiros, económicos, políticos e culturais e na dificuldade de conceber soluções em contextos de incerteza permanente.
Os princípios e conceitos gerais determinantes dos quadros políticos e sociais de governabilidade do Estado e das políticas sociais, designadamente da Educação, sofrem o impacto dessas mudanças e influenciam, por seu lado, novas transformações.
A educação é produto de uma história de sociedade e ao mesmo tempo um determinante essencial para o futuro. Assim, referem-se os aspetos que marcam de forma consequente o contexto da problemática da educação e dos sistemas educativos, vistos numa perspetiva sistémica, onde dimensões sociais, políticas e ideológicas se entrecruzam:
1.º - As mudanças de orientação sobre o papel e a função reguladora do Estado que ocorrem nas sociedades pós-industriais, como consequência do processo de globalização;
2.º - As alterações institucionais e a desadequação na racionalidade instrumental das sociedades industriais, face aos processos de participação social;
3.º - A ideologia dominante na condução das políticas sociais públicas, com principal incidência na política educativa.
Na transição para o mundo atual das multinacionais, do liberalismo económico, da desregulamentação e da virtualidade, o paradigma de trabalho e a estrutura de emprego da sociedade industrial, a mobilidade profissional e laboral que se traduz no desempenho de várias profissões e vários empregos ao logo da vida, a questão do emprego/desemprego como questão de crescimento económico  e desenvolvimento  humano implicam que o verdadeiro desafio económico se centre na Educação, ou seja, naquilo que os cidadãos podem acrescentar à economia global pela expansão e melhoria das suas qualificações.
Nestas condições, compreende-se que o desenvolvimento e a expansão da Educação, no contexto atual, residam na possibilidade de dar, a cada um, uma formação ao longo da vida, adequada às novas exigências.
As alterações institucionais decorrentes da mudanças de orientação sobre o papel e função reguladora do Estado e as novas realidades políticas e sociais, traduzidas na desintegração das certezas da sociedade industrial, no que se refere à ciência, à estabilidade e previsibilidade económica e profissional, levam os indivíduos a assumir o seu papel de atores sociais, quando colocados perante uma variedade de modelos e de opções.
Os modelos de organização do Estado tornaram-se inoperantes e percebe-se que o que está em causa é a necessidade de um novo contrato social.
Não se trata de construir um mundo novo. Trata-se de ajudar os homens e as mulheres de um mundo que se transformou radicalmente e que está em vias de se construir, sem plano nem visão à priori, a fazer face aos problemas que emergem doravante e para os quais a educação atual se prepara mal.
Não se trata de adaptar a educação ao mundo tal como é. Mas de dar aos humanos a capacidade de responder aos problemas que o mundo lhe impõe e de se tornarem atores mais responsáveis das mudanças que devem animar e que não  se podem determinar  à priori.

http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/mod/resource/view.php?id=1166331

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